Skip to content

Cobertura do show do Curumin e Samambaia Sound Club na Célula

Maio 26, 2011

foto Thiago Celes

A Casa

           A Célula está remodelada, negra e luxuosa, com um bar para os apreciadores de cerveja, degustarem os prazeres do sabor. Está irônica e fantástica, com camas no andar de cima e guarda-chuvas amarelos sob as cabeças. Quadrinhos, cruzadinhas e fotos do Escute!, uma minha dentre elas, e justamente a do Curumin.

 Bom para o público, que pode ficar ao ar livre conversando; se esbaldar na pista; ou se espreguiçar no espaço “cama”, ótimo para ver os gatinhos que saem do banheiro – disse uma amiga, e eu não tenho nada a ver com isso! Mas achei a casa espartana para com seus músicos, um palco aberto com um fundo branco e uma iluminação fraca e constante, entre o amarelo e o branco. E uma equalização que pode até prejudicar a sonoridade da banda.

A Samambaia

André Guesser da SSC foto de Michele Diniz

E a Samambaia foi prejudicada pela equalização do som, as guitarras estavam altas demais, e o agudo gritando! Pensei se estou velha? Ou como veria um show do Sonic Youth ou Nirvana, dissonância baby, o que você quer, cafézinho? Rock é isso, barulho! Neste meu impasse acompanhei todo o show da Samambaia, procurando algum lugar que o som estivesse mais agradável, e pude notar que as pessoas dançam e interagem nas músicas mais novas.

A debochada Manezinho do avesso, foi a música que mais empolgou o público, e foi tocada pela primeira vez neste show. É tão engraçado que uma banda que está com nova formação, revendo melodias, como a nova versão de DMLU, aguce a platéia com uma canção que nem foi lançada em CD, nem na rede, foi experimentada ali, e pegou! Talvez porque estamos tão cansados deste esteriótipo do manezinho, e Floripa receba tantas pessoas diversas, de outros lugares, com outros gostos e formas de pensar.

Daniel Gomes da SSC foto de Michele Diniz

Na experimentação da nova Samambaia, mais rocker, DMLU foi a que mais me chamou atenção, nada de maracatu, nada de rebolado, nada do cantado escorregadio (aka libidinoso de Jean Mafra), é papo reto, direto, gritado. Das antigas ainda Michê, mas as novas trazem em seu nome o refrão, como que para marcar a canção, bradado repetidas vezes, como em Hollywood, Nego James e Manezinho do Avesso, que estarão no próximo cd da banda Estética de Massa. Do cd recente Sim/Não foram tocadas Antes do verão e Esqueci quem sou, que tem esta mesma pegada bruta. No entanto, como a banda está se afinando, ainda não conseguiu uma interação bacana com o público, e as pausas entre todas as canções acabam esfriando a platéia, que se anima durante a música, mas na pausa perde o ritmo.

Curumin e os Aipins

Curumim foto de Thiago Celes

A banda começou com Compacto, à capela, seduzindo a platéia de mansinho, na maciota, chamando o público para se deixar levar, no swing do hip hop, manda essa: “Estamos prontos para juntar e inventar uma pequena rotina em estilo livre tudo isso ao som da música, use somente sua imaginação e faça o que lhe faz sentir bem”.

Então se deixa cair, se solte, sinta, sensibilize-se, vamos dançando para kioto, uma mistura de dub com hip hop, mais punjente e a galera já ta entregue, na curticera. O clima é de curtição mas a letra é séria, chama todos os santos para proteger este universo em desencanto. Agora estamos em clima de funk, e acabamos de passar pela dança do patinho do mr. BNegão, e somos confrontados com o que tem na caixa preta? Acho instigante uma letra tão porrada na cara, uma crítica a imprensa e seu financiamento, e nós curtindo a noite. “O que você tem com isso caboclo, talvez nos só escapamos por pouco!”

Loco Sosa e Curumin foto de Michele Diniz

Curumin (batera, samplers e guitarra nos momentos espaciais) e os Aipins, Lucas Martins (baixo e samplers) e Loco Sosa (percussão, samplers e batera quando Curumin a troca pela guita) são magos, conseguem falar sério, mantendo o clima alto astral, na base das melodias ricas em referências dub, hiphop, reggae, samba, os ancentrais do ritmo.

Tem uma hora que lá mais pro meio do show, começa um sambinha, a la jorge ben, e se pode observar a formação de vários casalzinhos, dançando juntinho, na versão de Cangote da Céu, aquela levada de reggae, calmaria. Era a deixa para encontrar a alma gêmea da noite, ou para deixar claro a sua musa, “vem menina deixa que eu te mostro o que não tem explicação“, “vem floripa vamos tranzar junto“!

Curumin foto de Michele Diniz

Dai a noite já tava ganha, banda e público seduzido. E esta noite não podia acabar, pedidos de bis, três, quatro, cinco, perdi a conta, os samplers acabaram – todos os músicos tem um teclado com referências sonoras usadas durante a noite no acompanhamento das músicas, pois estas gravações acabaram – mas nem isso saciou o público, que queria mais! E o Curumin não se fez de rogado, atendeu aos pedidos e foi para guitarra, passando a batera para Loco Sosa, e nos presenteou com um versão linda de os alquimistas estão chegando, e um Guerreiro a la james brown. Este japa pop show vai ficar na memória, casa cheia e ótimas canções.

por Júlia Eléguida

Anúncios
No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: