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A experiência Ufsctock

Outubro 5, 2011

Florianópolis, a ensolarada capital catarinense, é uma cidade curiosa. Cosmopolita, litorânea, caótica e efervescente – ao mesmo tempo que ainda preservando um certo charme provinciano – a menor das três capitais da região sul do Brasil intriga pela discrepância entre uma cena bastante festiva e a pouca repercussão dos artistas locais fora do estado. A situação, no entanto, está mudando. E em grande parte por “culpa” de um grupo de jovens que assume a identidade coletiva de Cardume Cultural.

Na ocasião do meu primeiro contato com esta galera, em dezembro de 2010, tive a oportunidade de trocar impressões sobre minha atividade junto ao Circuito Fora do Eixo e a atuação do grupo – que ainda não estava arranjado como coletivo – na esfera da mobilização estudantil. O que interessava para aqueles dois guris e para aquela guria que me convidaram para uma mesa sobre redes colaborativas na UFSC era basicamente cultura e gestão. A conversa, mais do que produtiva, acabou desencadeando uma nova visita minha a Florianópolis, pouco mais de nove meses depois do nosso primeiro encontro. Fora toda a simbologia gestante sugerida pelo tempo entre a primeira e a segunda imersão junto aos “cardumes”, desta vez eu estava lá para conhecer justamente a cria mais querida deste coletivo encabeçado por Gabriel, Júlia, Rafael e cia: o UFSCTOCK, evento de artes integradas realizado no campus da Trindade.
O debate que originou o Cardume, em dezembro de 2010 "Produção Cultural Idependente: práticas e organização"
A primeira coisa que me chamou a atenção ao retornar a Floripa foi a maturidade rapidamente alcançada pelo coletivo. Em muito pouco tempo, lograram formar um grupo grande de colaboradores em torno do Cardume, firmaram parcerias importantes com instituições e agentes locais e, principalmente, passaram a abordar questões referentes a organicidade coletiva encarando com honestidade os lapsos de vaidade  insegurança comuns a tod@s nós.
Cheguei na terça pela manhã, e fui abrigado na Casa da Floresta, quartel-general da produção do UFSCTOCK. Lá, o fluxo intenso de músicos, produtores, colaboradores e comunicadores foi intenso e ininterrupto. No melhor estilo #ConversasInfinitas, a todo momento um tema qualquer gerava uma discussão mais envolvente, que se desdobrava em outros temas, em subgrupos e mais temas…enfim, a vivência coletiva garantindo a atmosfera de formação permanente, aberta, mutante.
No início da semana, a programação dos Observatórios Fora do Eixo foi pautada pelas possibilidades de renovação da universidade e do ativismo, da criação de novas relações de troca e de políticas públicas para a cultura. Participei de algumas mesas ao lado de gente como Cláudio Prado, Alfredo Manevy, Thiago Skárnio e Ivana Bentes; essas mesas renderam, no mínimo, papos que se estenderam ao longo dos dias seguintes, dando a tônica das reuniões entre o coletivo e colaboradores. Para completar o clima de encontro, agentes do Fora do Eixo de Rio do Sul, Curitiba, São Paulo e São Carlos também se deslocaram até Floripa para acompanhar e contribuir com o trabalho do Cardume.
O palco armado em pleno campus da UFSC, já no sábado, arrastou gente de todos os tipos e idades para a plateia do festival. Cerca de cinco mil pessoas foram, gradativamente, chegando ao local para ver bandas como Da Caverna, Somato, Motel Overdose e , claro, a grande atração da primeira noite: Criolo, que numa performance emocionante cativou o público com sua mistura de rap, samba e soul. A chuva só colaborou pra boa energia da noite. No domingo, mais bandas e os paraibanos da Cabruêra comandando uma apoteose coletiva regada a ritmos regionais do nordeste relidos de forma invadora, inspirando cirandas, quadrilhas e outros bailados.
No final do festival, a inevitável sensação de satisfação e uma pontinha de saudade antecipada de um período que, com certeza, marcou a vida de quem estava lá.
O Cardume, Ponto Fora do Eixo de Florianóplolis, cresceu e se tornou um coletivo generoso, mais maduro e disposto a receber outros peixes em suas águas. São muitos os desafios, mas isso não parece amedrontar ninguém por lá. Prova disso é que aos nomes que citei antes, somaram-se outros como o Tomáz, o Diogo, a Nina, a Michele, a Amanda, a Dóris, a Maysa, a Mariana, Jenny, Ligia e mais tantos que não caberiam num parágrafo só.
E foi com esta turma que passei uma semana de aprendizados, trocas, generosidade e, sim, muita mistura.
Um relato feito por Atílio Alencar, morador da Casa Fora do Eixo Porto Alegre, que passou uma semana de vivência com o Cardume. A semana contou com a presença de mais agentes fora do eixo junto ao coletivo, Pablo Capilé da Casa Fora do Eixo São Paulo, Carlos de Aquino do Barriga Verde de Rio do Sul e a Beth e o Allan do Fora do Eixo Curitiba.
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