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A noite da rede

Outubro 17, 2011


Questionados por alguém do público ao anunciarem o fim do show, Juliano Parreira, baixista da Aeromoças e Tenistas Russas, disparou ao microfone um cabisbaixo “não comemos ninguém, cara”. Foram-se os tempos em que os músicos se esbaldavam. Por outro lado, a qualidade da música autoral tem melhorado exponencialmente.

A banda foi a segunda a se apresentar na Noite Fora do Eixo, que aconteceu no Célula Cultural na última sexta-feira. Vindos de São Carlos, interior paulista, tocaram após os manezinhos do Skrotes e a festa contou ainda com intervenções de Jean Mafra, atacando de DJ, antes e depois dos shows.

A moderninha Florianópolis continua avessa à novidades, fato comprovado por uma noite de casa minguada, com cerca de sessenta pessoas espalhadas dentro de um espaçoso Célula, enquanto nada que se apresentasse longe do usual acontecia no resto da cidade. (A propósito: não seria, talvez, a hora de o próprio Célula pensar em uma estrutura para diminuir o espaço interno em noites que demandem menos espaço para bandas e público? – sem diminuir a qualidade do som ou aumentar a temperatura da cerveja, diferenciais do lugar ).


É preciso atentar, sobre o formato dos shows, ao fato de que as bandas da noite eram instrumentais. Uma característica bastante nobre e corajosa, uma vez que não é raro encontrar bandas que tentam apoiar suas geniais carreiras em letras insossas, com o adendo de que é preciso ser bom para fazer música instrumental. E isso as duas bandas eram de sobra.

Após uma inventiva sessão de mashups de Jean Mafra, os primeiros a pisarem no palco foram os Skrotes. O trio formado por Chico Abreu (baixo), Igor de Patta (teclados) e Guilherme Ledoux, (bateria) apresentou composições que fazem uma mistura clara de jazz com punk rock, com fusion, com música eletrônica e ácido. Como um Emerson, Lake and Palmer nada entediante, o trio tem se mostrado cada vez mais conectados com o público nas apresentações ao vivo, ainda que os teclados não permitam tanta mobilidade por parte de 1/3 da banda. Com uma apresentação enxuta, mas longe do inexpressivo, os Skrotes provaram porque são uma das melhores bandas de Florianópolis atualmente.

Jean Mafra dirigindo a discotecagem com uma forte pegada latina


Com pouco tempo de diferença dos Skrotes, a paulista Aeromoças e Tenistas Russas subiu ao palco perto da 01:30, dispostos a mostrar as principais composições de Kadmirra, seu álbum de estréia. Após um início interrompido por alguma falha no som – “vamos começar de novo” – a apresentação correu sem problemas. Banda entrosada, a bateria de Eduardo pontua ritmos que passeiam pelo jazz, o rock 50’s e o funk 70’s para que Juliano (baixo), Thiago Hard (guitarra/sax) e Gustavo Hoolis (teclado) possam entrelaçar os sons de seus instrumentos de maneira atraente e criativa. Se fosse possível enquadrar a A&TR, seria algo próximo de um Dave Matthews Band sem o vocal, ou um Supertramp com elementos brasileiros. Isso realmente não importa: o fato é que os viventes que ficaram até o fim de quase duas horas de apresentação puderam conferir uma banda extremamente criativa e redonda. Ainda que instrumental, talvez mais comunicação verbal com o público aproximasse mais a A&TR da platéia, mas isso não foi exatamente uma barreira, não se ouvia resmungos sobre a banda no final da apresentação.

Parte de uma cansativa viagem de dezesseis datas, o show dessa sexta-feira no Célula Cultural integra a Turnê Kadmirra que passa por 6 estados e segue agora para o Rio Grande do Sul. Articulada através do Circuito Fora do Eixo (da qual os próprios músicos fazem parte, através do Aparelho Coletivo, da cidade de São Carlos), a turnê coloca a banda paulista em contato com o público, pra valer. Sem traços de “merchandising” barato por parte de quem escreve: não é fácil articular, movimentar e produzir turnês independentes (de verdade) no Brasil, como está sendo o caso da A&TR. A estrutura colaborativa em rede do FDE precisa ser melhor explorada pelos artistas em Florianópolis, se a cidade quiser cumprir o papel de “conectada” a que se propõe. Spotlights como a noite de sexta-feira são apenas uma lasca do que é possível fazer (e aprender) com as novas possibilidades geradas pela internet.

É preciso dar mais atenção à rede, Floripa.

Texto: Cauê Marques
Fotos e Vídeo: Rafael Vilela
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2 comentários leave one →
  1. lo freitas permalink
    Outubro 17, 2011 12:40

    Não é mais o Nilo na bateria do Aeromoças, antes de upar deveriam se informar melhor sobre os componentes da banda e as infos da mesma, o texto está bem sucinto, mas um pouco confuso pra quem não esteve no local, tipo, qual foi a indagação do público para que recebesse tal resposta??, começa falando da banda, depois parte para outro momento e volta a falar da banda de novo??, no mais, gostei da forma como coloca floripa como uma cidade que se acha e que deve se abrir mais para o experimental.

  2. Outubro 17, 2011 12:59

    NOITE BACANA.
    GENTE BONITA.
    CLIMA DIVERTIDO.
    MÚSICA BOA.

    MAS TAMBÉM NÃO COMI NINGUÉM…

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