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Os “Adeus”

Outubro 30, 2011

Esse é o mês dos adeus. O jornalista  Álvaro Pereira Junior deu um “Adeus aos Indies” em artigo publicado dia 15, na Folha de São Paulo (Ilustrada), que gerou polêmica. Os indies haviam realmente ido embora? Toda uma cena independente criticada. A Ivana Bentes deu sua resposta pelos caminhos do jornalismo cultural e a crise dos mediadores no “Adeus aos críticos?”, publicado no site 300. Já Pablo Capilé teve direito a réplica ao artigo do Sr. Pereira, publicado dia 29, na Folha Ilustrada.

E ai, adeus a que?

Confere a réplica “Adeus ao Sr. Pereira” 

SE A NOVA EXPRESSÃO MUSICAL NÃO É AUDÍVEL DA “TORRE DE CRISTAL”, NÃO É UM PROBLEMA DA CENA, E SIM DO POUCO (OU NENHUM) ESFORÇO DO JORNALISTA. É A CEGUEIRA DE QUEM OLHA PARA O RETROVISOR E PENSA QUE ESTÁ OLHANDO PARA O FUTURO 

Rapper Criolo no festival Ufsctock 2011: mais de 5000 pessoas em um evento gratuito. (foto anexada ao texto original)

Na sua coluna na Ilustrada de 15/10/2011, “Adeus aos Indies”, o sr. Álvaro Pereira Júnior tenta reduzir a produção musical independente a uma cena preguiçosa, pouco criativa e oportunista. Acontece que, no século 21, a melhor parte da música brasileira é independente. A revolução digital mudou para sempre hábitos de produção, circulação e consumo. As grandes gravadoras insistem em tratar interessados em música como meros consumidores. É por isso que estão derretendo.

Foi-se o tempo em que os “críticos” cumeavam a pirâmide perversa do sucesso, num conluio incestuoso entre a indústria da música e a da mídia. Não é a música que está morrendo, é a pirâmide. A música vai bem, obrigado.

Se essa nova expressão musical não é audível da “torre de cristal”, não é um problema da cena, e sim do pouco (ou nenhum) esforço do jornalista. É a cegueira de quem olha para o retrovisor e pensa que está olhando para o futuro. Roqueiro rebelde de gabinete, o sr. Pereira fabrica polêmica contra dois fenômenos reais: a cena musical paulista, que chama pejorativamente de “indie-sambinha”, e o circuito Fora do Eixo, que reúne cem coletivos de 27 Estados em todo o país, que chama de “indies estatais”. De Macapá a Santa Maria (RS), de Rio Branco (AC) ao Recife, passando por Belém, Salvador, Brasília, Belo Horizonte etc. até o eixo Rio-São Paulo, os artistas se organizam tendo o público em rede como aliado. O fim do modelão concentrador dá espaço para a diversidade estética e territorial no Brasil de verdade.

Os 2.000 participantes do Fora do Eixo, nos 5.000 shows e 180 festivais anuais que produzem, circulando 10 mil bandas, têm sim acesso, através de editais, a verbas públicas municipais, estaduais e federais. É bom que governos tenham políticas culturais para além do escopo (mercadológico) da Lei Rouanet. Para falar de referências caras ao sr. Pereira, é assim nos EUA. E o que seria da música e da cultura inglesa sem a megaestatal BBC?

Essa foi uma conquista da gestão Gil/Juca Ferreira no Ministério da Cultura. Atacando essa gestão e a programação do Sesc, que sempre pensaram a produção e circulação independente de uma perspectiva dinâmica e democrática, o sr. Pereira mostra de que lado está: o da desinformação.

(foto anexada ao texto original)

É por isso que o convidamos a praticar a sua nobre profissão, o jornalismo: sair de trás do teclado rancoroso e de um estado de preguiça investigativa e cinismo intelectual. Ou então será “Adeus, sr. Pereira”.

por Pablo Capilé. Ilustrada, Folha de São Paulo. Publicado em 29/10/2011

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2 comentários leave one →
  1. Cauê Marques permalink
    Outubro 31, 2011 01:41

    Excelente a postagem, não li a Ilustrada de ontem – lamentavelmente (!?) eu preciso esperar chegar ao trabalho pra ler jornais.

    O texto é claro, sincero e vai direto ao ponto: a morosidade da imprensa de cultura em relação à iniciativas que não dependam diretamente de jabá, ou que não sejam empurradas pela atenuada indústria fonográfica é patética. Não precisa ser editor da Bravo! pra saber que só (parte) da classe média consome o que é empurrado pelos velhos veículos e que esse quadro tá mudando, e pra melhor.

    Bom saber que a própria Folha deu espaço pra esse texto. Excelente idéia postarem ele aqui, obrigado, cardúmicos
    🙂

  2. Novembro 3, 2011 16:24

    🙂

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